Quando escrevo dou tudo de mim,me entrego...Tudo que aparece no papel em branco é parte mim.Escrever é como doar doses homeopáticas desse meu ser inquieto.
Escrevo por mera necessidade de ser quem realmente sou.Consigo ser várias,e mesmo assim ser eu mesma.Pois sou varias,e todas essas facetas que crio nada mais são do que variações do meu humor oscilante.
Sinto-me incompleta sem os escritos,e mesmo nos momentos em que devo calar-me,ocultar-me...Escrevo,pois só consigo ter consciência de minha existência dessa forma.
Passar por essa vida sem preencher páginas em branco e expô-las a outrem não faz sentido.
tuty
"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."
Eu aqui ouvindo musica de "gente velha",envolvida em meio as cobertas a fim de me proteger do frio dessa noite sem lua,estou pensando seriamente em desabar.
Recordando-me da graça que é permitir-se sofrer,do alívio que se sente ao deixar o líquido quente e salgado escorrer pela face.
Sinto vontade de entregar-me ao vazio que me consome dia após dia,vontade de render-me e
dizer - Consuma-me!
Estou terrivelmente exausta,cheia de toda essa força de que me convenço ser feita,farta de todas as mascaras,cansada dos personagens criados para viver em meu lugar toda essa angustia e paixão de que sou feita.
Preciso assumir o papel principal e deixar-me viver com todas as dores e delicias que isso traz.
Nem conhecia o amor. Eu fui obrigada a conhecer o avesso do mundo. Pra sobreviver é dor de não entender o que tinha acontecido, é dor de te perder, tudo. Eu tive que nascer pra vida da cidade. Não a vida social, mas a vida da cidade e de seus cantos esquecidos. O lixo do lixo. Eu me perdia pela cidade, anônima, e esse anonimato era um vício. Eu não ter meu nome me absolvia de tudo. Eu me embebedava do desejo cego por qualquer um... E assim, eu me iniciei na solidão coletiva dos que não têm nada a perder. Mas, talvez, eu tenha até mais que os outros a tentação de corresponder ao bem. Uma tentação tão grande e absoluta, um desejo de corresponder de forma tão total, que paradoxalmente me tornou e me torna escrava cega de minha escuridão. E quando essa escuridão me possui, eu até a confundo com uma espécie de bem-aventurança
É madrugada e não consigo dormir,pois a vontade de escrever me atormenta,como a muito não acontecia.Já estava acreditando que minha ausência seria permanente,que as palavras tinham partido sem vontade de retornar.Resolvi ir com elas...
Não imaginava que em uma madrugada fria como esta eu iria ser invadida pela inquietude que a muito não me dominava,não esperava ser perturbada por pensamentos que não se contentam em surgir em minha mente.Eles precisam se exteriorizar,precisam existir,e exigem que eu viva para que possam me sugar até a ultima gota.
Não adiantou,deitar-me e cobrir a cabeça fingindo que nada acontecia,não adiantou os inúmeros copos d'água,as xícaras de café e o desejo de dormir em paz.A paz não me visitará essa noite,pois não impota o que eu faça ou o que eu diga, os meus pensamentos me levam a ideia de você,eles pulsam por você e insistem em me esbofetear enquanto eu finjo que o tempo é curto de mais,eles latejam em minha mente febril,pois a vaga ideia a seu respeito é movimento.
Eles me arrancam do conforto de meus lençóis,pois sabem que amar-te é movimento,e permanecer quieta mataria tal amor.